O outro lado de Maceió: ritmo lento na Lagoa Mundaú

Maria Silva

O outro lado de Maceió: pôr do sol e ritmo lento na Lagoa Mundaú

Há uma Maceió que cabe no cartão-postal: a orla de Pajuçara e Ponta Verde, o mar transparente, as jangadas saindo para as piscinas naturais, o movimento alegre da praia urbana. E há outra, que começa exatamente onde esse roteiro termina.


Quando o dia abranda, basta atravessar a cidade em direção ao sul para encontrar a Lagoa Mundaú, e, com ela, um ritmo mais lento, feito de águas paradas, barcos sem pressa e um pôr do sol que parece pedir silêncio.


Esse é o outro lado de Maceió: o passeio entre as Nove Ilhas, o artesanato do Pontal da Barra e o entardecer sobre a lagoa. Um destino com camadas, ideal para quem já conhece a praia e quer conhecer outros lugares.


Por que a Lagoa Mundaú é a outra face de Maceió?

Enquanto a orla pulsa, a Lagoa Mundaú respira devagar. É a segunda maior lagoa de Alagoas, com cerca de 23 km² de superfície, e faz parte do complexo estuarino que une água doce e salgada num emaranhado de canais, manguezais e ilhas. Foi desse encontro de águas que nasceu o próprio nome da cidade: Maceió, do tupi, é "o que tapa o alagadiço".


Aqui a paisagem não convida à agitação. Convida a olhar. Os coqueirais se inclinam sobre a água, as garças cruzam o céu baixo do fim de tarde, e o tempo, simplesmente, desacelera. Para quem chega depois de dias de praia, a lagoa funciona como um contraponto, a mesma Maceió, em outra frequência.


O que é o passeio das Nove Ilhas na Lagoa Mundaú?

O passeio das Nove Ilhas é o jeito mais tradicional de conhecer a lagoa por dentro. A bordo de catamarãs, escunas ou lanchas que partem do Pontal da Barra, a embarcação navega entre um arquipélago de ilhas e ilhotas formadas pelos sedimentos dos rios que deságuam na Mundaú.


Cada ilha guarda uma pequena história, contada pelos guias durante o trajeto. A Ilha de Bora Bora não deve o nome à Polinésia, mas à forma como o povo respondia ao convite de visitá-la, encurtando o "embora" em "bora". A Ilha do Fogo lembra um antigo alambique que faliu pelo consumo da própria produção. A Ilha de Um Coqueiro Só carrega a memória da enchente de 1989, que devastou tudo e deixou apenas uma palmeira de pé. E a Ilha de Santa Rita é a maior ilha lacustre do país.


O passeio costuma incluir uma parada num banco de areia formado no encontro da lagoa com o mar, onde se pode entrar na água morna e rasa. Mas o verdadeiro ápice vem mais tarde: por isso o melhor horário para embarcar é a tarde, quando a navegação se encaminha para o entardecer.


O Pontal da Barra e a delicadeza da renda filé

Antes de embarcar - ou ao voltar - vale percorrer as ruas estreitas do Pontal da Barra, o bairro de pescadores cravado entre o mar e a lagoa de onde saem os passeios. É um dos cantos mais antigos e charmosos de Maceió, e tem um ritmo próprio: crianças brincando na calçada, moradores em conversa na porta de casa e, por toda parte, mulheres bordando.


O que elas produzem é a renda filé, técnica trazida ainda no período colonial e aprimorada desde o século XVIII, hoje reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas. As rendeiras - também chamadas de filanzeiras - entrelaçam linhas coloridas sobre uma trama que lembra a rede de pesca, transformando-a em toalhas, colchas, cangas, peças de vestir. Cada trabalho pode levar semanas. Comprar uma peça ali é levar embora não um souvenir, mas o tempo de quem a fez.


Esse é um detalhe que conversa com a própria lagoa: tanto o bordado quanto a navegação pedem paciência. No Pontal, a pressa não tem função.


Por que o pôr do sol na lagoa é tão especial?

Se há um momento em que a Lagoa Mundaú resume tudo o que tem de melhor, é o entardecer. O Pontal da Barra é considerado por muitos o melhor lugar para ver o sol se pôr em Maceió - a luz dourada se espalha sobre a água parada, as ilhas viram silhuetas e o reflexo alaranjado preenche todo o horizonte da lagoa.


É um espetáculo sem palco e sem pressa. Visto da margem, com um caldo quente em mãos, ou do meio da água, no fim do passeio de barco, o resultado é o mesmo: a sensação de que a cidade fez uma pausa para olhar o céu junto com você.


Maceió para quem já conhece o cartão-postal

A praia urbana é, e seguirá sendo, o primeiro encontro com Maceió. Mas quem retorna, ou quem fica tempo suficiente para ir além, descobre que a cidade tem profundidade. A Lagoa Mundaú é essa segunda camada: mais quieta, mais cultural, mais ligada à vida de quem sempre viveu aqui - dos pescadores às rendeiras, das ilhas com nome de gente aos frutos da lagoa que chegam à mesa.


Não é o oposto da praia. É o seu complemento. Uma forma de entender que Maceió não se resume ao azul do mar: ela também tem o verde calmo da lagoa, o ocre do fim de tarde e o tempo desacelerado de quem aprendeu a viver junto à água.


Perguntas frequentes sobre a Lagoa Mundaú

O que fazer na Lagoa Mundaú, em Maceió? As principais experiências são o passeio de barco das Nove Ilhas, a visita ao bairro do Pontal da Barra para conhecer a renda filé e apreciar o pôr do sol sobre a lagoa, um dos mais bonitos da cidade.


De onde sai o passeio das Nove Ilhas? As embarcações partem do bairro do Pontal da Barra, no litoral sul de Maceió, a cerca de 10 a 15 minutos de carro da região hoteleira da orla.


Qual o melhor horário para visitar a Lagoa Mundaú? O fim da tarde é o período mais procurado, porque permite acompanhar o pôr do sol - o ponto alto tanto do passeio de barco quanto da visita ao Pontal da Barra.


O que é a renda filé do Pontal da Barra? É um bordado típico alagoano, feito à mão sobre uma trama que lembra a rede de pesca. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas, é a principal tradição artesanal das rendeiras do bairro.


A Lagoa Mundaú é melhor que as praias de Maceió? Não se trata de comparação: a lagoa oferece uma experiência diferente e complementar à praia - mais lenta, cultural e contemplativa -, ideal para quem quer conhecer Maceió além do cartão-postal.

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